domingo, 28 de fevereiro de 2010

mãe

para cada coisa que se olha tem
pedra no caminho
presta atenção [então] na coisa de olhar a pedra
do próprio caminho

quando a pedra escorre na ribanceira
e não se é a pedra é alívio é ainda bem
a pedra que escorre é a chance [de uma
outra maneira] de continuar ali no monte
e não lá em baixo caído e morto e dor

preste atenção ainda
pois a memória faz
fantasma e paraíso.
o precioso espaço
entre cilada mistério
e propriamente
o medo
está na capacidade de um e outro verem na lembrança o papo
feito [há] muitos anos.

cada conta de buteco
ou conversa ou destempero
do bêbado [espécie em extinção]
não existe mais
agora só é hora de balada.

meninas novas velhas por aqui e por ali
são outras contas de tempero que o pai
coloca na comida na salada na vida da
mãe que se esqueceu de como era no começo.

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37 anos, poeta, designer gráfico, moro em goiânia, gosto de escrever e produzir uma escrita preocupada com as coisas que acontecem ao nosso redor, (pelo menos ao meu redor) nesse tempo ou em outros.