MAR ou somente uma pequena canção de zelo
quando da espera em pequenos movimentos
era em primeira mão uma quase virgem de olhar amendoado
e que no passo em passo na primeira pergunta se subordinou ao grito
urrante bruto e que com toda a certeza de esforço ainda tinha cara de menina
menina que com o tempo cresce e se fazer mulher é perfeição sem sê-lo
apresenta a pedra do destino PENELÓPE ou CIRCE e canto de sereia fez-me ULISSES e
tapar os ouvidos com a cera era não só a saída mas o desespero.
[cantou e cantou e tirei as
ceras e pude ouvir o canto]
- menino vem
vem com sua trombeta tocar nos morros de dois irmãos
nas grutas da desconhecida e penetre no caudaloso riacho que passa por entre as
paredes de pedra da caverna quente e bem cheirosa
paraíso na condição de se fazer intumescido
de pé na escrivaninha ao lado da nau que com suas velas acendiam tudo
iluminava o caminho no MAR de cerrados e flores engraçadas e a repique de tamborim
e talvez rabeca ou devo dizer rebeca
[mas para dizer nome de mulher então deveria em
caixa alta pois para tanto se nomeia em muito]
[então não direi]
descobrir do que faz canção
em ritmo frenético ou lentamente
se posicionar na porta do palco e ver a canção bem ao ritmo moderno
1 2 1 2
e subindo
até o fim do mastro
e ver MAR
onde havia
terra e seca e calor desprotegido
e chegar na ponta e descer correndo
deslizando.
para cada dia da canção da sereia de além mar
surge nos condomínios paisagens de tijolos e semblantes sorrisos
nos tapas que se erguem nas mãos dela no lugar da delicia de continuar suspirando a espera
de outro nela ou dela e com sua caverna em prantos
suspiro sonho doce amendoim
escrevendo poesia se faz mais homem e ela nele mais mulher.
mas ela a sereia ou se chama PENELÓPE ou CIRCE ou MAR tanto faz
pois para cada tempo chamou-se de algo. e desta feita
e vale dizer que é esta mesmo
se sublinha com sorriso meigo denso e inteligência como poucas
e desta outra feita vale dizer também que sempre vale a pena
ter por perto tão graciosa sereia [ou deveria ser chamada deusa].

