segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MAR ou somente uma pequena canção de zelo


 

quando da espera em pequenos movimentos

era em primeira mão uma quase virgem de olhar amendoado

e que no passo em passo na primeira pergunta se subordinou ao grito

urrante bruto e que com toda a certeza de esforço ainda tinha cara de menina

menina que com o tempo cresce e se fazer mulher é perfeição sem sê-lo

apresenta a pedra do destino PENELÓPE ou CIRCE e canto de sereia fez-me ULISSES e

tapar os ouvidos com a cera era não só a saída mas o desespero.

[cantou e cantou e tirei as

ceras e pude ouvir o canto]

- menino vem

vem com sua trombeta tocar nos morros de dois irmãos

nas grutas da desconhecida e penetre no caudaloso riacho que passa por entre as

paredes de pedra da caverna quente e bem cheirosa

paraíso na condição de se fazer intumescido

de pé na escrivaninha ao lado da nau que com suas velas acendiam tudo

iluminava o caminho no MAR de cerrados e flores engraçadas e a repique de tamborim

e talvez rabeca ou devo dizer rebeca

[mas para dizer nome de mulher então deveria em

caixa alta pois para tanto se nomeia em muito]

[então não direi]

descobrir do que faz canção

em ritmo frenético ou lentamente

se posicionar na porta do palco e ver a canção bem ao ritmo moderno

1 2 1 2

e subindo

até o fim do mastro

e ver MAR

onde havia

terra e seca e calor desprotegido

e chegar na ponta e descer correndo

deslizando.

para cada dia da canção da sereia de além mar

surge nos condomínios paisagens de tijolos e semblantes sorrisos

nos tapas que se erguem nas mãos dela no lugar da delicia de continuar suspirando a espera

de outro nela ou dela e com sua caverna em prantos

suspiro sonho doce amendoim


 

escrevendo poesia se faz mais homem e ela nele mais mulher.


 

mas ela a sereia ou se chama PENELÓPE ou CIRCE ou MAR tanto faz

pois para cada tempo chamou-se de algo. e desta feita

e vale dizer que é esta mesmo

se sublinha com sorriso meigo denso e inteligência como poucas

e desta outra feita vale dizer também que sempre vale a pena

ter por perto tão graciosa sereia [ou deveria ser chamada deusa].

carta a ANTÔNIO CÍCERO


 

poeta

desculpe-me a intromissão

mas se puder ler este poema

ficarei com uma sensação de vontade.

meu nome é gyannini e escrevo versos como quem morre também.

sou goiano. com agrado posso dizer.

convicção só em pastelaria mesmo.

acho algo hoje

amanhã outra.

pedaço por pedaço vou tentando reconstituir

a parábola do sertão. quem anda por aí é tropeiro.

sou tropeiro.

como hugo de carvalho ramos o foi

ou disse para ser e

como ser.


 

a pedra [que funda o mundo] me funda.

me inicia e me finda.

em partes [como antes] ou por inteiro

como agora.

 
 

se agora me apresentei me sinto menos culpado

ou por ora

menos aprisionado.


 

vou-me indo porque o chamado das pétalas

das flores do cerrado clamam por suas verdades

e no tempo seco e sem água me reconduzo

a minhas tentativas vãs de escrever mal traçadas linhas.


 

abraço ao amigo que ainda em descoberta lhe ofereço a amizade.

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Quem sou eu

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37 anos, poeta, designer gráfico, moro em goiânia, gosto de escrever e produzir uma escrita preocupada com as coisas que acontecem ao nosso redor, (pelo menos ao meu redor) nesse tempo ou em outros.